domingo, 14 de março de 2010

O que as novelas não ensinam

Uma mulher, abrindo o coração, disse que quando era criança poucas vezes sentiu como tendo o suficiente de qualquer coisa, especialmente amor, manifestações de carinho, aprovação. A sensação que tinha era de que independentemente do que seus pais fizessem ou falassem, ela sempre queria mais. Quando ficou adulta, ela tentou preencher suas necessidades da maneira variadas. Comia demais, quem sabe pela sensação de que preencheria o vazio com alimentos. Tinha compulsão para comprar coisas em lojas variadas, sempre procurando uma mercadoria que, talvez, a fizesse feliz e completa. Envolveu-se com amizades que, no fundo, eram “pais substitutos”, crendo que a atenção e aprovação delas a faria sentir-se bem com ela mesma.

Num grupo de apoio psicológico aprendeu que quando sua expectativa é maior do que o que as pessoas podem lhe dar, ela cai numa armadilha. Quando você fica esperando de qualquer pessoa aquilo que ela não pode lhe dar, você está colocando seu pé num caminho infeliz desnecessário. Quando tenta conseguir que algo ou alguém de fora de si mesmo o faça feliz por dentro, você está fazendo algo insensato. Não funciona. A felicidade é algo de dentro que tem que ver com responsabilidade pessoal.

Nenhum ser humano tem o poder de nos fazer completos, plenamente felizes, saciados por inteiro. Isso depende do relacionamento de cada um com Deus e de trabalho pessoal. Pensar nisto pode ser muito libertador e de fato é, porque assim tiramos das costas das pessoas o que não é para estar lá, e buscamos Alguém eficaz.

É, pois, importante que cada um pense: que comportamentos utilizo para tentar preencher minhas necessidades de atenção, afeto, aprovação? Eles me prendem ou me libertam? Estão baseados em expectativas realistas ou ilusórias?

Outra pessoa narrou que começou a perceber que quando era bem cuidada por alguém, sentia uma mistura de bem estar e sofrimento. Achou estranho aquilo e tentou entender. Como é que podia sentir duas coisas opostas ao mesmo tempo? Ao compartilhar isso com uma amiga do grupo, esta lhe perguntou se quando ela era criança, ao experimentar bons sentimentos provocava nela alguma sensação desagradável. Ela disse que sim, após meditar bastante, evocando cenas do passado. Disse que o “receber” poderia, por alguns momentos, trazer à superfície da sua mente o “não receber”. Algumas pessoas podem não pedir afeto por medo de receber menos do que desejam e ao invés de aproveitar o que podem ter, perdem isto e ficam sem nada, com medo de não ter tudo o que desejariam receber.

É supercomum pessoas fazerem a transferência do que faltou de afeto na sua relação com seus pais (ou cuidadores) para namorados e namoradas. Fica uma “misturança” danada de sentimentos, porque em parte o que cada um sente pelo outro é algo da relação mesmo, e parte é o que cada um projeta no outro daquilo que tinha de bom e de ruim do que havia na infância com os pais. Muitos vivem numa relação obsessiva e querendo que o outro se torne tudo de bom para se sentirem bem consigo mesmos. De novo a armadilha: colocar a esperança de ter serenidade e paz interior na dependência do comportamento de alguém fora de você mesmo. Muitos vivem anos esperando que os outros possam mudar para serem felizes, tentando mudar aquilo que não podem controlar. Mas é possível aprender a dar amor incondicional e aceitação independentemente de como você é tratado. Este é o caminho da felicidade que as novelas não ensinam.

Fonte: “A Esperança para Hoje”, Al-Anon, 2005.

(Cesar Vasconcellos de Souza, www.portalnatural.com.br)
e (Criacionismo)

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts with Thumbnails